24 de mai. de 2010

Mensagem para quem Abortou

 

Ante a queda moral pela prática do aborto não se busca condenar ninguém. O que se pretende é evitar a execução de um grave erro, de conseqüências nefastas, tanto individual como socialmente, como também sua legalização.

Como asseverou Jesus (João, 8:11):

"Eu também não te condeno; vai e não tornes a pecar."

A proposta de recuperação e reajuste que o Espiritismo oferece é de abandonar o culto ao remorso imobilizador, a culpa autodestrutiva e a ilusória busca de amparo na legislação humana, procurando a reparação, mediante reelaboração do conteúdo traumático e novo direcionamento na ação comportamental, o que promoverá a liberação da consciência, através do trabalho no bem, da prática da caridade e da dedicação ao próximo necessitado, capazes de edificar a vida em todas as suas dimensões.

Da obra: O Que Dizem os Espíritos Sobre o Aborto. FEB.

16 de mai. de 2010

Psicografia

 

Por que algumas pessoas não conseguem um contato espiritual com os entes queridos que já partiram?

A mediunidade é um dom comum a todos os seres humanos em maior ou menor grau. É a capacidade de entrar em contato com os espíritos desencarnados.

A sensibilidade mediúnica apurada pode ser uma missão ou então uma prova para o espírito resgatar débitos passados.

Atualmente, o dom mais comentado é o da psicografia. O médium de psicografia é aquele que tem a capacidade de obter mensagens escritas de espíritos desencarnados. Sejam de cunho intelectual com o objetivo de esclarecer os homens ou mesmo de espíritos que desejam se comunicar com aqueles que deixaram na Terra.

Psicografia mecânica: quando o médium não tem consciência daquilo que escreve. Sente o impulso na mão, mas o conteúdo da mensagem não passa através do seu cérebro. Essas mensagens podem conter detalhes do espírito desencarnado como o tipo de letra, apelidos e nomes que o médium desconhece. Trazem consolo e a certeza da vida pós-morte. Mediunidade rara. Ex: o saudoso médium Chico Xavier.

Psicografia semi-mecânica: o médium sente o impulso na mão e, ao mesmo tempo, alguma consciência daquilo que escreve. Mediunidade comum.

Psicografia intuitiva: o médium tem total consciência daquilo que escreve. Esse dom pode permitir mensagens de conteúdo esclarecedor para muitas almas. O médium tem que ter disciplina e muito equilíbrio para discernir o que é seu e o que é do espírito. Mediunidade comum.

Médiuns inspirados: recebem inspiração dos mentores siderais, mas nem sempre sabem disso. Acham que foi um insight ou apenas um momento de inspiração.

Por que algumas pessoas mesmo após várias tentativas não conseguem contato com as pessoas queridas que partiram pra outra dimensão?

Na verdade, a separação da morte é ilusória. Em todos os momentos estamos em contato com os espíritos desencarnados. Mesmo durante o sono o espírito de uma mãe saudosa pode reencontrar seu filho na espiritualidade. Ela acorda mais calma e esperançosa com a doce lembrança do seu filho através de um sonho revelador. O desdobramento é capacidade que o espírito tem de sair do corpo seja de modo consciente ou inconsciente. O sonho é apenas o repouso do corpo. A alma, durante o sono, fica livre para reencontrar seus afetos na outra dimensão.

O saudoso médium Chico Xavier nos deu uma lição de vida, amor e caridade. Quando alguém lhe pedia uma mensagem de um ente querido ele afirmava: "O telefone só toca de lá para cá".

O desencarne de um ente querido traz desespero àqueles que não acreditam na vida após a morte. Acreditam que morreu, acabou. A certeza da vida eterna é conforto espiritual que ameniza a saudade.

Quando sofremos uma cirurgia ou ficamos doentes precisamos de um tempo para a recuperação do nosso organismo.Se viajarmos para terras distantes precisaremos de adaptação aos costumes estrangeiros. O que dizer de alguém que regressa para a pátria espiritual? Precisa se adaptar ao novo estado. Curar dos traumas do desencarne e, muitas vezes, acordar de um sono reparador. Alguns espíritos partem para o plano espiritual de forma drástica e súbita através do suicídio, acidentes. E precisam de tratamento espiritual. Não estão preparados ainda para dar uma mensagem ou recado àqueles que ficaram. Ninguém vira santo depois que morre. Os espíritos desencarnados refletem sobre suas falhas e imperfeições. Alguns espíritos nem sabem que desencarnaram porque em nada acreditavam quando na vida terrena.

Deus é muito bom! Ele sempre dá alguma compensação para aqueles que sofrem. Seu ente querido conhece seus pensamentos. Receberá seu carinho mesmo em outra dimensão. Preste atenção aos sinais que a vida lhe dá:
Sensação de presença: a pessoa sente a presença do ente querido. Pode sentir arrepios, calafrios, tontura. O cheiro da pessoa amada.Nesse momento faça uma prece. Pode até conversar com ele mentalmente. Ele sentirá a força do seu afeto. O bom senso tem que estar presente. A vigilância de nossos atos e pensamentos são o escudo que nos protegem das entidades falsas ou zombeteiras. Elas se aproveitam do nosso desespero para se fazer passar pelos entes queridos desencarnados. Utilize sempre o recurso da prece e de uma vida saudável. O luto prolongado e a revolta só trazem desconforto e desespero. Os espíritos gostam de ser lembrados,mas a revolta e o apego excessivo fazem mal a eles. Aceite o sofrimento, a saudade, mas com a luz esclarecedora da fé.
Mensagem psicografada: através de um médium de psicografia os espíritos desencarnados trazem mensagens e recados. Aliviam a saudade daqueles que ficaram. Se você ainda não recebeu ainda uma mensagem tenha paciência. Seja forte! Deus sabe o momento certo e tudo tem uma razão de ser.
Sonhos: alguns sonhos podem ser mesmo um reencontro com a pessoa querida. A diferença de um sonho para um desdobramento é que acordamos com a certeza de que reencontramos a pessoa querida. Há uma sensação de alívio e bem estar. Nosso mentor espiritual ou anjo de guarda pode facilitar esse desdobramento.
Psicofonia: a psicofonia é a capacidade do médium de incorporar o espírito desencarnado. Através dessa incorporação o espírito desencarnado pode conversar com as pessoas e transmitir as suas mensagens.
Intuição: os laços de amor e afeto prosseguem após à morte. Há uma ligação energética e fluídica que, às vezes, permite sentir como está a pessoa querida no plano espiritual.
Conheço muitas pessoas que não são espíritas e não tem religião definida. Perderam entes queridos de forma trágica. Esposos dedicados que morreram de forma súbita. Filhos queridos que desencarnaram após um grave acidente. Crianças que desencarnaram após doença longa. Jovens que partiram através do suicídio, depressão grave e experiência com drogas. Mesmo assim, esses entes queridos prosseguem firmes na jornada terrena com a crença de que eles viverão para sempre dentro da sua lembrança. Encontram na caridade a força para continuar vivendo!

O consolo chegará de acordo com o merecimento e a evolução espiritual de cada um.

A doutrina espírita nos traz o conforto da fé raciocinada, da certeza da vida eterna.

Cada um, de acordo com sua fé ou religião, tem a proteção das forças espirituais positivas. Não estamos sós na jornada na vida!

A vida é eterna! Um dia, todos nós reencontraremos aqueles que já se foram e nos são caros.

Texto de Sandra Cecília - www.relaxmental.com.br - relax.mental.blog.uol.com.br

Obstinação Cristã

A tua obstinação pelo ideal do bem surpreende a muitos, que a consideram loucura.

Os amigos têm dificuldade de compreender-te, supondo ser o teu esforço uma busca sub-reptícia de promoção pessoal ou perseguição a interesses de procedência mundana.

Censuram-te a firmeza, que lhes parece fanatismo, e assacam calúnias contra ti esperando esmorecer-te o ânimo.

São também crentes nos postulados que te arrebatam, mas os têm como um suporte para determinadas ocasiões, um compromisso que, às vezes, se as circunstâncias são pouco favoráveis, pode ser postergado como secundário.

Não se interessam para que o próximo conheça o que a eles faz felizes, quiçá, porque ainda não se identificaram, realmente, com o conteúdo da fé.

Vivem no mundo, nos mesmos padrões profanos, distraídos, periodicamente chamados à razão pela dor, que olvidam logo passa o problema afligente.

São simpáticos quando necessitam e soberbos quando procurados.

Hábeis no falar e no agir, transitam livremente nas diversas áreas, nas quais se acomodam, sem definição.

Dizem-se liberais, tolerantes.

A fé, porém, é um compromisso para com a vida.

Muitos crentes, no entanto, vivem uma fé sem compromisso.

Como tens consciência de que ressurgirás do túmulo conforme és, acautela-te, desde já, mantendo coerência entre o que crês e o que fazes, o que pretendes e o que encontrarás.

A morte é uma desveladora de realidades, em cujo umbral se acabam as ilusões, ressurgindo a vida em plenitude.

Vive hoje, portanto, conforme anelas prosseguir depois.

A imprevidência gasta agora, para lamentar mais tarde, enquanto a sabedoria aplica hoje, para o rendimento no futuro.

Afatiga-te, sem queixas, na ação do bem, ao tempo em que outros se exaurem no transitório jogo da imediata satisfação.

Sempre te faz bem, o bem que fazes.

O que atiras fora te faltará, mas o que aplicas se multiplicará.

O cristão vale pelos investimentos de amor e abnegação de que se utiliza.

Como o tempo inevitavelmente passa, ele te coroará de paz ou arrependimento, de acordo com o uso que dele faças.

Torna-te, desse modo, um realizador incansável.

Quando procurado, ajuda, orienta, sem enfado, e, quando não sejas solicitado, esparze o esclarecimento como semeador que atira pólen e sementes por onde passa e onde se encontra, consciente dos resultados abençoados que advirão mais tarde.

Não te imponhas, porém, transpondo a linha do equilíbrio que estabelece o respeito às demais criaturas e suas crenças. Todavia, por motivo nenhum, se te faças omisso.

Canta com o verbo e o coração, a mente e a ação, o teu hino cristão de amor e luz, tornando-te ouvido, assim despertando os que jazem no letargo da acomodação ou anestesiados pelos vapores tóxicos da ignorância.

Franco, Divaldo Pereira. Da obra: Seara do Bem. Ditado pelo Espírito Joanna de Ângelis.

9 de mai. de 2010

As Profissões de Minha Mãe

 

Minha mãe foi, com certeza, a mulher que mais profissões exerceu em toda sua longa vida, sem ter sequer concluído o curso fundamental.

Tudo que ela aprendeu foi nas primeiras quatro séries que cursou, quando criança. Contudo, era de uma sabedoria sem par.

Descobri que minha mãe era uma decoradora de grandes qualidades, à medida que eu crescia e observava que ela sempre tinha um local no melhor móvel da casa, para as pequenas coisas que fazíamos na escola, meu irmão e eu.

Em nossa casa, nunca faltou espaço para colocar os quadrinhos, os desenhos, os nossos ensaios de escultura em barro tosco.

Tudo, tudo ganhava um espaço privilegiado. E tudo ficava lindo, no lugar que ela colocava.

Descobri que minha mãe era uma diplomata, formada na melhor escola do mundo (nosso lar), todas as vezes que ela resolvia os pequenos conflitos entre meu irmão e eu.

Fosse a disputa pela bicicleta, pela bola, pelo último bocado de torta, de forma elegantemente diplomática ela conseguia resolver. E a solução, embora pudesse não agradar os dois, era sempre a mais viável, correta, honesta e ponderada.

Descobri que minha mãe era uma escritora de raro dom, quando eu precisava colocar no papel as idéias desencontradas de minha cabecinha infantil.

Ela me fazia dizer em voz alta as minhas idéias e depois ia me auxiliando a juntar as sílabas, compor as palavras, as frases, para que a redação saísse a contento.

Descobri que minha mãe era enfermeira, com menção honrosa, toda vez que meu irmão e eu nos machucávamos.

Ela lavava os joelhos ralados, as feridas abertas no roçar do arame farpado, no cair do muro, no estatelar-se no asfalto.

Depois, passava o produto antisséptico e sabia exatamente quando devia usar somente um pequeno band-aid, o curativo ou a faixa de gaze, o esparadrapo.

Descobri que minha mãe cursara a mais famosa Faculdade de Psicologia, quando ela conseguia, apenas com um olhar, descobrir a arte que tínhamos acabado de aprontar, o vaso que tínhamos quebrado.

E, depois, na adolescência, o namoro desatado, a frustração de um passeio que não deu certo, um desentendimento na escola.

Era uma analista perfeita. Sabia sentar-se e ouvir, ouvir e ouvir. Depois, buscava nos conduzir para um estado de espírito melhor, propondo algo que nos recompusesse o íntimo e refizesse o ânimo.

Era também pós-graduada em Teologia. Sua ciência a respeito de Deus transcendia o conteúdo de alguns livros existentes no mundo.

O seu era o ensino que nos mostrava a gota a cair da folha verde na manhã orvalhada e reconhecer no cristal puro, a presença de Deus.

Que nos apontava a fúria do temporal e dizia: Deus vela. Não se preocupem.

Que nos alertava a não arrancar as flores das campinas porque estávamos pisando no jardim de Deus. Um jardim que Ele nos cedera para nosso lazer, e que devíamos preservar.

Ah, sim. Ela era uma ecologista nata. E plantava flores e vegetais com o mesmo amor. Quando colhia as verduras para as nossas refeições, dizia: Não vamos recolher tudo. Deixemos um pouco para os passarinhos. Eles alegram o nosso dia e merecem o seu salário.

Também deixava uns morangos vermelhinhos bem à mostra no canteiro exuberante, para que eles pudessem saboreá-los.

Era sua forma de manifestar sua gratidão a Deus pelos Seus cuidados: alimentando as Suas criaturinhas.

Minha mãe, além de tudo, foi motorista particular. Não se cansava de ir e vir, várias vezes, de casa para a escola, para a biblioteca, para o dentista, para o médico, para o teatro e de volta para casa.

Também foi exímia cozinheira, arrumadeira, passadeira, babá. E tudo isto em tempo integral.

Como ela conseguia, eu não sei. Somente sei que agora ela está na Espiritualidade. E Deus, como recompensa, por tantas profissões desempenhadas na Terra, lhe deu uma missão muito, muito especial: a de anjo guardião dos filhos que ficaram na bendita escola terrena.

Redação do Momento Espírita. Disponível no CD Momento Espírita, v. 12, ed. Fep. Em 08.05.2009.

Mãezinha

 

Quando o Pai Celestial precisou colocar na Terra as primeiras criancinhas, chegou à conclusão de que devia chamar alguém que soubesse perdoar infinitamente.

De alguém que não enxergasse o mal.

Que quisesse ajudar sem exigir pagamento.

Que se dispusesse a guardar os meninos, com paciência e ternura, junto do coração.

Que tivesse bastante serenidade para repetir incessantemente as pequeninas lições de cada dia.

Que pudesse velar, noites e noites, sem reclamação.

Que cantarolasse, baixinho, para adormecer os bebês que ainda não podem conversar.

Que permanecesse em casa, por amor, amparando os meninos que ainda não podem sair à rua.

Que contasse muitas histórias sobre a vida e sobre o mundo.

Que abraçasse e beijasse as crianças doentes.

Que lhes ensinasse a dar os primeiros passos, garantindo o corpo de pé.

Que os conduzisse à escola, a fim de que aprendessem a ler.

Dizem que nosso Pai do Céu permaneceu muito tempo, examinando, examinando... e, em seguida, chamou a Mulher, deu-lhe o título de Mãezinha e confiou-lhe as crianças.

For esse motivo, nossa Mãezinha é a representante do Divino Amor no mundo, ensinando-nos a ciência do perdão e do carinho, em todos os instantes de nossa jornada na Terra. Se pudermos imitá-la, nos exemplos de bondade e sacrifício que constantemente nos oferece, por certo seremos na vida preciosos auxiliares de Deus.

Xavier, Francisco Cândido. Da obra: Pai Nosso. Ditado pelo Espírito Meimei. 19 edição. Rio de Janeiro, RJ: FEB.

Em Louvor das Mães

 

O lar é a célula ativa do organismo social e a mulher, dentro dele, é a força essencial que rege a própria vida.

Se a criança é o futuro, no coração das mães que repousa a sementeira de todos os bens e de todos os males do porvir.

O homem é o pensamento.

A mulher é o ideal.

O homem é a oficina.

A mulher é o santuário.

O homem realiza.

A mulher inspira.

Compreender a gloriosa missão da alma feminina, no soerguimento na Terra, é apostolado fundamental do Cristianismo renascente em nossa Doutrina Consoladora.

Auxiliar, assim, o espírito materno, no desempenho de sua tarefa sublime, constitui obrigação primária de todos nós que abraçamos nos Centros Espíritas novos lares de idealismo superior e que buscamos na Boa Nova do Divino Mestre a orientação maternal para a renovação de nossos destinos.

Nesse sentido, se nos cabe reconhecer no homem o condutor da civilização e o mordomo dos patrimônios materiais na gleba planetária, não podemos esquecer que na mulher devemos identificar o anjo da esperança, ternura e amor, a descer para ajudar, erguer e salvar nos despenhadeiros da sombra, oferecendo-nos, no campo abençoado da luta regenerativa, novos tabernáculos de serviço e purificação.

Glorifiquemos, desse modo, o ministério santificante da maternidade na Terra, recordando que o Todo-Misericordioso, quando se designou enviar ao mundo o seu mais sublime legado para o aperfeiçoamento e a elevação dos homens, chamou um coração de mulher, em Maria Santíssima, e, através das suas mãos devotadas à humanidade e ao bem, à renunciação e ao sacrifício, materializou para nós o coração divino de Nosso Senhor Jesus Cristo, a luz de todos os séculos e o alvo de redenção da Humanidade inteira.

Xavier, Francisco Cândido. Da obra: Cartas do Coração. Ditado pelo Espírito Emmanuel.

6 de mai. de 2010

Conseqüências do Aborto para o Brasil

Quais as conseqüências espirituais do aborto para a mulher que o realiza? E para a sociedade, quais os efeitos?

As conseqüências psicofísicas e espirituais podem ocorrer na mesma existência em que o aborto foi praticado, tais como o transtorno mental depressivo, a obsessão e os distúrbios diversos do sistema reprodutor feminino. Há também as mesmas conseqüências em existência posterior, sendo as mais freqüentes, os diversos graus de infertilidade, os distúrbios do sistema reprodutor e muitos problemas gestacionais. A sociedade sofre os efeitos da pena de morte que pratica contra inocentes, que não tem como se defender, gerando mais violência sobre si mesma. Muitos desastres morais graves tem aí sua origem.

Certa vez, Chico Xavier teria dito que se o aborto fosse aprovado legalmente no Brasil, o país entraria em um ciclo de guerras. Qual sua opinião sobre isso?

Ele disse isso a mim, diretamente, e estou certa de que isto poderá mesmo ocorrer. Como já me referi o país que pratica esse tipo de violência não consegue sair da cadeia de ódio que gerou para si mesmo. Vivemos em uma grande rede - a teia da vida - o que se faz em um dado ponto desta imensa malha, faz-se a todo o conjunto, com natural repercussão sobre os responsáveis pela ação. Nossa bandeira é imaculada, não tem nenhuma nódoa de violência na sua tessitura, vamos rogar a Deus que continue assim.

Trecho de entrevista com a doutora Marlene Nobre, presidente da Associação Médico Espírita (AME) do Brasil e Internacional. Publicada no Jornal Diário do Nordeste em 29 de março de 2009.

A Reencarnação Fortalece os Laços de Família, ao Passo Que a Unicidade da Existência os Rompe

Os laços de família não sofrem destruição alguma com a reencarnação, como o pensam certas pessoas. Ao contrário, tornam-se mais fortalecidos e apertados. O princípio oposto, sim, os destrói.

No espaço, os Espíritos formam grupos ou famílias entrelaçados pela afeição, pela simpatia e pela semelhança das inclinações. Ditosos por se encontrarem juntos, esses Espíritos se buscam uns aos outros. A encarnação apenas momentaneamente os separa, porquanto, ao regressarem à erraticidade, novamente se reúnem como amigos que voltam de uma viagem. Muitas vezes, até, uns seguem a outros na encarnação, vindo aqui reunir-se numa mesma família, ou num mesmo círculo, a fim de trabalharem juntos pelo seu mútuo adiantamento. Se uns encarnam e outros não, nem por isso deixam de estar unidos pelo pensamento. Os que se conservam livres velam pelos que se acham em cativeiro. Os mais adiantados se esforçam por fazer que os retardatários progridam. Após cada existência, todos têm avançado um passo na senda do aperfeiçoamento.

Cada vez menos presos à matéria, mais viva se lhes torna a afeição recíproca, pela razão mesma de que, mais depurada, não tem a perturbá-la o egoísmo, nem as sombras das paixões. Podem, portanto, percorrer, assim, ilimitado número de existências corpóreas, sem que nenhum golpe receba a mútua estima que os liga.

Está bem visto que aqui se trata de afeição real, de alma a alma, única que sobrevive à destruição do corpo, porquanto os seres que neste mundo se unem apenas pelos sentidos nenhum motivo têm para se procurarem no mundo dos Espíritos. Duráveis somente o são as afeições espirituais; as de natureza carnal se extinguem com a causa que lhes deu origem. Ora, semelhante causa não subsiste no mundo dos Espíritos, enquanto a alma existe sempre. No que concerne às pessoas que se unem exclusivamente por motivo de interesse, essas nada realmente são umas para as outras: a morte as separa na Terra e no céu.

A união e a afeição que existem entre pessoas parentes são um índice da simpatia anterior que as aproximou, Daí vem que, falando-se de alguém cujo caráter, gostos e pendores nenhuma semelhança apresentam com os dos seus parentes mais próximos, se costuma dizer que ela não é da família. Dizendo-se isso, enuncia-se uma verdade mais profunda do que se supõe. Deus permite que, nas famílias, ocorram essas encarnações de Espíritos antipáticos ou estranhos, com o duplo objetivo de servir de prova para uns e, para outros, de meio de progresso. Assim, os maus se melhoram pouco a pouco, ao contato dos bons e por efeito dos cuidados que se lhes dispensam. O caráter deles se abranda, seus costumes se apuram, as antipatizas se esvaem. E desse modo que se opera a fusão das diferentes categorias de Espíritos, como se dá na Terra com as raças e os povos.

O temor de que a parentela aumente indefinidamente, em consequência da reencarnação, é de fundo egoístico: prova, naquele que o sente, falta de amor bastante amplo para abranger grande número de pessoas. Um pai, que tem muitos filhos, ama-os menos do que amaria a um deles, se fosse único? Mas, tranquilizem-se os egoístas: não há fundamento para semelhante temor. Do fato de um homem ter tido dez encarnações, não se segue que vá encontrar, no mundo dos Espíritos, dez pais, dez mães, dez mulheres e um número proporcional de filhos e de parentes novos. Lá encontrará sempre os que foram objeto da sua afeição, os quais se lhe terão ligado na Terra, a títulos diversos, e, talvez, sob o mesmo título.

Vejamos agora as consequências da doutrina antireencarcionista. Ela, necessariamente, anula a preexistência da alma. Sendo estas criadas ao mesmo tempo que os corpos, nenhum laço anterior há entre elas, que, nesse caso, serão completamente estranhas umas às outras. O pai é estranho a seu filho. A filiação das famílias fica assim reduzida à só filiação corporal, sem qualquer laço espiritual. Não há então motivo algum para quem quer que seja glorificar-se de haver tido por antepassados tais ou tais personagens ilustres. Com a reencarnação, ascendentes e descendentes podem já se terem conhecido, vivido juntos, amado, e podem reunir-se mais tarde, a fim de apertarem entre si os laços de simpatia.

Isso quanto ao passado. Quanto ao futuro, segundo um dos dogmas fundamentais que decorrem da não-reencarnação, a sorte das almas se acha irrevogavelmente determinada, após uma só existência. A fixação definitiva da sorte implica a cessação de todo progresso, pois desde que haja qualquer progresso já não há sorte definitiva. Conforme tenham vivido bem ou mal, elas vão imediatamente para a mansão dos bem-aventurados, ou para o inferno eterno. Ficam assim, imediatamente e para sempre, separadas e sem esperança de tornarem a juntar-se, de forma que pais, mães e filhos, maridos e mulheres, irmãos, irmãs e amigos jamais podem estar certos de se verem novamente; é a ruptura absoluta dos laços de família.

Com a reencarnação e progresso a que dá lugar, todos os que se amaram tornam a encontrar-se na Terra e no espaço e juntos gravitam para Deus. Se alguns fraquejam no caminho, esses retardam o seu adiantamento e a sua felicidade, mas não há para eles perda de toda esperança. Ajudados, encorajados e amparados pelos que os amam, um dia sairão do lodaçal em que se enterraram.

Com a reencarnação, finalmente, há perpétua solidariedade entre os encarnados e os desencarnados, e, daí, estreitamento dos laços de afeição.

Em resumo, quatro alternativas se apresentam ao homem, para o seu futuro de além-túmulo: 1ª, o nada, de acordo com a doutrina materialista; 2ª, a absorção no todo universal, de acordo com a doutrina panteísta; 3ª, a individualidade, com fixação definitiva da sorte, segundo a doutrina da Igreja; 4ª, a individualidade, com progressão indefinita, conforme a Doutrina Espírita. Segundo as duas primeiras, os laços de família se rompem por ocasião da morte e nenhuma esperança resta às almas de se encontrarem futuramente. Com a terceira, há para elas a possibilidade de se tornarem a ver, desde que sigam para a mesma região, que tanto pode ser o inferno como o paraíso. Com a pluralidade das existências, inseparável da progressão gradativa, há a certeza na continuidade das relações entre os que se amaram, e é isso o que constitui a verdadeira família.

Allan Kardec. Da obra: O Evangelho Segundo o Espiritismo. 112 edição. Capítulo IV. Livro eletrônico gratuito em http://www.febnet.org.br. Federação Espírita Brasileira.

Mediunidade e Jesus

Quem hoje ironiza a mediunidade, em nome do Cristo, esquece-se, naturalmente, de que Jesus foi quem mais a honrou neste mundo, erguendo-a ao mais alto nível de aprimoramento e revelação, para alicerçar a sua eterna doutrina entre os homens.

É assim que começa o apostolado divino, santificando-lhe os valores na clariaudiência e na clarividência entre Maria e Isabel, José e Zacarias, Ana e Simeão, no estabelecimento da Boa Nova.

E segue adiante, enaltecendo-a na inspiração junto aos doutores do Templo; exaltando-a nos fenómenos de efeitos físicos, ao transformar a água em vinho, nas bodas de Caná; honorificando-a, nas actividades da cura, em transmitindo passes de socorro aos cegos e paralíticos, desalentados e aflitos, reconstituindo-lhes a saúde; ilustrando-a na levitação, quando caminha sobre as águas; dignificando-a nas tarefas de desobsessão, ao instruir e consolar os desencarnados sofredores por intermédio dos alienados mentais que lhe surgem à frente; glorificando-a na materialização, em se transfigurando ao lado de Espíritos radiantes, no cimo do Tabor, e elevando-a sempre, no magnetismo sublimado, seja aliviando os enfermos com a simples presença, revitalizando corpos cadaverizados, multiplicando pães e peixes para a turba faminta ou apaziguando as forças da natureza.

E, confirmando o intercâmbio entre os vivos da Terra e os vivos da Eternidade, reaparece, Ele mesmo, ante os discípulos espantados, traçando planos de redenção que culminam no dia de Pentecostes - o momento inesquecível do Evangelho -, quando os seus mensageiros convertem os Apóstolos em médiuns falantes, na praça pública, para esclarecimento do povo necessitado de luz.

Como é fácil de observar, a mediunidade, como recurso espiritual de sintonia, não se confunde com a Doutrina Espírita que expressa actualmente o Cristianismo Redivivo, mas, sempre que enobrecia pela honestidade e pela fé, pela educação e pela virtude, é o veículo respeitável da convicção na sobrevivência.

Assim, pois, não nos agastemos contra aqueles que a perseguem, através do achincalhe - tristes negadores da realidade cristã, ainda mesmo quando se escondam sob os veneráveis distintivos da autoridade humana -, porquanto os talentos medianímicos estiveram, incessantemente, nas mãos de Jesus, o nosso Divino Mestre, que deve ser considerado, por todos nós, como sendo o Excelso Médium de Deus.

Xavier, Francisco Cândido. Da obra: O Espírito da Verdade. Ditado pelo Espírito Eurípedes Barsanulfo. Cap. VI – Item 7.

FREI DAMIÃO O IRMÃO DA CARIDADE

  "Mais tarde, adoeceu... E, mesmo assim, Curvado para a Terra, erguia as mãos trementes, Socorrendo viajores e doentes, Embora sempre ...